A resposta de uma classe unida… já somos 21000!

Num momento como este precisamos de estar unidos, tranquilamente e partilhar todo o apoio possível a todos os colegas”.

e-Learning – apoio

Dia 13 de março, o mundo já vivia o pesadelo causado por algo ínfimo e invisível e que estava a dar a volta ao mundo. Nesse dia, as autoridades portuguesas asseguravam a continuidade das escolas abertas e a perspetiva de os docentes continuarem a trabalhar com os seus alunos na sala de aula. Era quinta-feira. No final do dia, tudo mudou. Numa comunicação à nação, é anunciado o encerramento temporário de todos os estabelecimentos de ensino. Entre medidas certas e palavras de coragem e esperança, algumas revelaram-se assustadoras como “Não estão de férias”. Apesar das possíveis interpretações desta frase no seu contexto, não é objetivo deste texto abordar esta questão.

De sexta para segunda começou o pesadelo dos professores, uns mais à vontade que outros na utilização das tecnologias, foi pedido que tudo mudasse. Todos passariam a trabalhar à distância e, com a distância. Isso revelou-se um terror para muitos. Começámos a ouvir queixas de encarregados de educação pelo envio exagerado de trabalhos, na impossibilidade de conseguirem conjugar com as suas vidas laborais com o trabalho dos seus filhos e, ainda outros, com as limitações no acesso à tecnologia. Os professores tentaram tudo. Tudo porque se pediu uma mudança hercúlea aos professores: mudar a sua práxis. Muitos sem terem recurso à tecnologia, muitos outros por não serem a favor da sua implementação em contexto escolar e muitos outros que sempre acreditaram no seu poder e no apoio que poderiam dar.

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Mas, foi assim. Aos professores foi pedido isso, para mudarem. Os professores na sua grande maioria não baixaram os braços e arregaçaram as mangas, pesquisaram procuraram e… muitos esbarraram. Faltava algo, alguém que os pudesse ajudar. Nessa perspetiva surgiram no panorama educacional três professores com uma ideia brilhante, num fim de semana arquitetaram um projeto de apoio a professores no Facebook, criaram uma equipa de trabalho e avançaram com o desafio, vamos ajudar-nos uns aos outros. São docentes de uma escola privada que poderiam ignorar a agonia do ensino público mais desprotegido ao nível tecnológico. Mas não, os professores Ana Paula Loureiro, Ondina Espírito Santo e Vítor Bastos, desafiaram os professores Jorge Sottomaior Braga, Paulo Gafanha, Francisco Gomes, João Jerónimo, João Marôco, Mário Lima e José Marques a moderar o grupo de professores no Facebook o e-Learning – Apoio.

O crescimento do grupo não estava previsto… passadas duas semanas, somos mais de 21 mil a pertencer a este projeto pensado por estes professores. Mas vamos aos números que, por si, já impressionam e que, disso, sei que realmente entendo.

Gráfico 1 – Evolução do número de membros

Atualmente a distribuição geográfica do grupo é bastante curiosa. Temos professores de todas as regiões do país, mas efetivamente o maior número de membros encontra-se na região de Lisboa, seguida de Braga e Porto.

Gráfico 2 – Distribuição de membros por região do país.

Por decisão do grupo e para incorporar um novo Know-how com os membros, começou a abrir-se o grupo a professores que trabalham fora do país. Alguns dos docentes lecionam em escolas portuguesas pelo mundo, outros são especialistas nas diferentes áreas do saber. A distribuição geográfica é bastante curiosa e pode ser observada no gráfico seguinte.

Gráfico 3 – Evolução deo número de membros a nível mundial.

Deixando agora o número de membros do grupo, analisemos a interação que existe entre eles à data deste artigo.

Os números também são espantosos. Atualmente contam-se 1046 publicações, com mais de 10500 comentários submetidos e mais de 52 000 reações. Convém relembrar que as publicações, comentários e reações referem-se a pedidos de ajuda, dicas e respostas fornecidas pelos elementos da comunidade e foram apenas em 15 dias.

Para demonstrar a capacidade de interação deste grupo, nas últimas 93 publicações realizadas foram feitos 5660 comentários com um total de 24145 reações. Em média, estas publicações foram vistas por 7380 membros do grupo. Recordamos que os moderadores criaram um sistema de etiquetas para facilitar as pesquisas dos professores que são membros.

Mas sendo o universo de professores tão grande, será que há margem para continuar a crescer? Há. No entanto, e como forma de controlar o acesso apenas a docentes no grupo, houve necessidade de criar critérios de acesso, sendo o principal, ser profissional da educação. Infelizmente temos tido a necessidade de rejeitar alguns membros pois não foi possível confirmar se são ou não professores. Foram mais de 1300 que serão sempre bem vindos para voltar.

Em jeito de conclusão, poderiam ter ficado calados, poderiam ter optado por dar visibilidade apenas ao vosso trabalho, poderiam guardar os vossos conhecimentos para vocês ou optar por capitalizá-lo de outra forma. Não, vocês deram o mote e nós aceitámos o desafio. Estamos unidos sim, os professores não desistiram e continuam aqui. Apenas referir um post que o Francisco Gomes publicou no seu mural e que creio ser uma citação de Churchill :

“We make a living by what we get. We make a life by what we give.”.

Obrigado!

2 thoughts on “A resposta de uma classe unida… já somos 21000!

  1. Há coisas que não se medem com números..o espírito de grupo de uma classe tão desprezada..e ainda o sacrifício daqueles que organizam sem ser a troco das quotas mensais.Bem hajam.

  2. José Marques tenho o privilégio de me cruzar contigo profissionalmente.
    As tuas aulas são sempre um espaço de aprendizagem ativa para todos os que lá entram!
    Parabéns por este projeto tão precioso para todos nós

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