Módulo 2 – Paradigmas da Investigação em Educação

Paradigma es un marco cientifico especifico con unas reglas metodologicas, presupuestos ontologicos, generalidades teoricas que son aceptadas por una comunidad de cientificos y a partir de los cuales realizan sus actividades e investigaciones.

Lukas & Santiago (2004, p.23)

Neste módulo fomos levados a:

  • Distinguir os principais paradigmas de investigação em Educação e respetivos fundamentos ontológicos, epistemológicos e metodológicos.
  • Tomar consciência dos principais desafios de natureza deontológica e ética na investigação científica em geral, e na investigação em educação em particular.

A investigação em educação está envolta de características muito próprias pelo que há cuidados a ter. Ao contrário da investigação científica, a investigação nas áreas sociais lida com outros seres humanos com vivências e especificidades muito próprias.

Paradigmas da Investigação

Paradigma, provém do grego  parádeigma, e por definição é algo que serve de exemplo geral ou de modelo. = PADRÃO(1). No campo da investigação é o modo como uma determinada comunidade científica, num contexto específico, coloca um problema em relação á própria investigação.

A seleção por um ou outro paradigma baseia-se nas crenças e valores do investigador. Deve estar orientado de acordo com um problema de investigação e contribuir para a definição da metodologia a ser seguida.

 

Os paradigmas de investigação podem enquadra-se em três eixos:

  • Ontológico
  • Epistemológico
  • Metodológico

Existem diferentes perspetivas, mas para Lincoln & Guba (1985), referido por Costa (2017) podemos incluir numa perspetiva:

  • Científica – Trata-se de uma abordagem empírico-racionalista onde o objetivo é aumentar o conhecimento. Os focos principais são: a exploração dos fenómenos que acontecem; baseia-se em factos observáveis e tem uma medição objetiva (mensuráveis). Faz-se a manipulação das variáveis e os resultados são comparados.
  • Humanista/naturalista – é uma abordagem mais naturalista. O foco assenta na interpretação das situações que ocorrem e nos próprios locais naturais. É uma investigação subjetiva pois assenta na interpretação do autor, na perceção e interpretação das situações reais. Sendo assim pretende-se compreender os fenómenos e os resultados obtidos não são generalizáveis mas válidos apenas no contexto específico do estudo.

Tendo em conta o trabalho do colega de mestrado Vítor Bastos, partilho aqui o mapa conceptual por ele realizado.

in: https://www.goconqr.com/pt-PT/p/11724240-Paradigmas-investigativos-mind_maps

Ética e deontologia

Códigos deontológicos – são estabelecidas normas de comportamentos. são dilemas, questões morais que se devem ter em conta na investigação, principalmente nas investigações sociais.

Ética de investigação – São regras e normas adequadas para a atividade  de investigação científica.

Neste contexto a investigação deve: ser rigorosa, ser verídica, demonstrar transparência, confiança e veracidade, e humana.

Para a realização de uma investigação, esta deve ter:

  • O sujeito que venha a ser objeto de uma investigação deve ser informado disso mesmo;
  • Direito à informação – dar a conhecer as intenções do estudo;
  • Anonimato e confidencialidade.

 

Código de Nuremberg 

A história da nossa humanidade teve e infelizmente continua a ter, episódios de falta de respeito pela dignidade humana em nome da ciência. A discussão é complexa, mas o Código de Nuremberg  são um conjunto de princípios éticos que regem as investigações com seres humanos.

Carta Ética
A Carta Ética para a Investigação em Educação e Formação do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa (CEIEF) (Diário da República, 2.ª série — N.º 52 — 15 de março de 2016): “(…) apresenta o conjunto de objetivos, princípios e orientações de foro ético, a respeitar a promover no âmbito das atividades de pesquisa e de supervisão realizadas pelos seus membros, docentes, investigadores e estudantes de mestrado, doutoramento e pós -doutoramento.” (p.9153).

Deve ter-se em conta, portanto:

  • Propósito da investigação;
  • dados a ser recolhidos e divulgados;
  • modalidades e tempos requeridos no envolvimento das partes;
  • contrapartidas eventuais;
  • uso das tecnologias de registo;

Dado o facto de sermos estudantes deste instituto, transcrevo de seguida os objetivos que fundamentam a existência da CEIEF (2016, p.9153):

 A Carta Ética para a Investigação em Educação e Formação do Instituto de Educação constitui um referencial da ação investigativa, relevando a importância dos seguintes objetivos principais:
1 — Contribuir para a valorização da investigação em educação e formação.
2 — Contribuir para a reflexão ética e a autorregulação na atividade investigativa, desde a sua conceptualização à sua divulgação.
3 — Contribuir para a cientificidade da investigação em educação e formação.
4 — Contribuir para a credibilidade e a confiança pública na produção científica.
Para que estes objetivos sejam alcançados é necessária a valorização de princípios orientadores que se apresentam em seguida.

Plágio e Falseamento

Fruto de um trabalho já realizado na disciplina de eLearning neste mestrado, transcrevo um dos meus comentários relativamente ao plágio com uma visão bastante específica sobre o mesmo.

Após análise de várias publicações dos colegas de mestrado, analiso de uma outra a questão do plágio que certamente é mais uma visão que parte da leitura efetuada de alguns autores e que tem um cunho pessoal. Para a enciclopédia Bitannica, no seu site, a definição de plágio refere-se a um “(…)act of taking the writings of another person and passing them off as one’s own. The fraudulence is closely related to forgery and piracy—practices generally in violation of copyright laws.” (2)
De acordo com Fishman, o plágio é visto de diferentes formas em diferentes instituições e que as diferentes visões levam a uma definição / visão geral de plágio que é desajustada. Globalmente o plágio é visto como uma conduta de roubo, fraude ou violação dos direitos de autor.
O autor explica porque discorda:
O plágio visto como roubo
Fishman (2009) não associa o plágio a um roubo. O autor estabelece que o termo apropriação de um trabalho de alguém pode não ser considerado desonesto, mesmo havendo essa intenção, desde que o documento tenha sido partilhado de forma consciente por alguém.
Para além disso considera ainda que o “roubo” da obra não leva a um dano ou perda por parte do autor da obra, uma vez que se sabe que muitas vezes o trabalho é partilhado e que a apropriação não leva propriamente a uma perda de algo que fique inutilizado.
O plágio visto como fraude
A definição de fraude, para o autor não se conjuga com um sinónimo de plágio, uma vez que o uso fruto de um trabalho publicado não está relacionado com o facto de causar perdas monetárias em relação ao autor. Fishman (2009), no entanto, afirma que “While it is true that a teacher or institution is wronged when a student commits an act of plagiarism, it is difficult to prove that tangible (monetary) losses occur.”(p4)
O plágio visto como violação dos direitos de autor
Os termos, segundo Fishman (2009) costumam ser confundidos apesar de os dois terem aspetos comuns. A violação dos direitos de autor ocorre quando uma obra está protegida por lei e alguém a usa com benefícios e ganhos próprios de forma indevida. Tendo em conta que os direitos de autor protegem as pessoas que produzem trabalhos nas diferentes áreas então dela visam obter compensações financeiras. No entanto não se deve associar o plágio a uma violação dos direitos de autor. Fishman (2009) afirma que um trabalho cedido com autorização por alguém sem a devida citação, não é violação de direto de autor, mas sim plágio.
Em face do exposto, o autor propõe que o plágio ocorre quando:
Existe uma utilização de palavras de trabalhos produzidos;
É imputável a outro autor ou fonte;
Não se associa um trabalho à fonte a partir da qual foi obtida
Numa situação em que existe uma legítima expectativa de autoria original
Visa obter algum benefício, crédito ou ganho que não seja necessariamente monetário.”

Retirado de: Fórum de discussão “Dimensão ética e legal na resolução de casos práticos” da disciplina de eLearning e Formação à Distância.


Referências bibliográficas

Fishman, Teddi (2009) “We know it when we see it” is not good enough: toward a standard definition of plagiarism that transcends theft, fraud, and copyright. Acesso: http://www.bmartin.cc/pubs/09-4apcei/4apcei-Fishman.pdf

Lukas, Santiago (2004) “Paradigmas en la investigación educativa”. (Acesso privado ao documento).

(1) definição retirada do dicionário Priberam.

(2) https://www.britannica.com/topic/plagiarism

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.